Há já uns bons dias que venho a ensaiar mentalmente este post... após ter passado meio dia a tentar o escrever, um jantar de aniversário de uma colega de faculdade e meia garrafa de vinho branco depois, ao som de um cd carregado de magia e recordações (sp – adore) parece que é desta...
Há já uns bons dias que venho a ensaiar mentalmente este post... após ter passado meio dia a tentar o escrever, um jantar de aniversário de uma colega de faculdade e meia garrafa de vinho branco depois, ao som de um cd carregado de magia e recordações (sp – adore) parece que é desta...
Aparentemente à partida este poderia ser apenas “só mais um falso post de despedida de um pseudo blogger frustrado”, embora não seja o fim do ilmatto.weblog.com.pt, a verdade é que para mim algo se vai perder aqui... ou talvez não...
Quando no dia 6 de Agosto de 2003, por mero acaso fui parar a uma dimensão entre o sonho e um lugar de verdade, e dei de caras com os senhores e senhoras que “salvaram o mundo”, um flash de recordações dos meus tempos de criança, em discussões com a minha prima mais nova, tomou conta de mim... tudo por culpa dela... essa mãe desnaturada que abandona os seus filhos pinguinescos à nascença... foi assim que após algumas experiências no blogspot decidi dar luz ao ilmatto... tudo porque um dia uma amiga, não sei se posso ousar a chamar assim... mas é alguém especial, me enviou por carta o Il Matto – O Louco, carta de tarot, o que provocou um enorme sorriso... sabendo que ela é uma consultora de vidas alheias pelos blogs, achei que um dia o acaso a traria até aqui e assim foi!
Existem mil e um tipos de blogs, porque afinal somos todos diferentes, possuímos uma carga genética que nos define, possuímos todo um passado de experiências e acumulação de saberes que nos dá uma personalidade e nos distingue como pessoas únicas e irrepetitíveis, pelo que idealizei o “ilmatto”, como sendo parte de mim, gosto dos “huhuhuhuhu’s”, sonho com o pinguim da páscoa, gosto de partilhar estas pequenas insanidades que fazem de mim o que sou, tento ser o mais verdadeiro possível, porque é assim que eu quero este “ilmatto”, porque no dia em que achar que nada disto faz sentido simplesmente deixo de escrever...
O motivo deste post é simples... uma das partes que até agora fazia parte deste blog eram opiniões pessoais, sobre a minha vida enquanto estudante de enfermagem, contudo à já alguns meses que vinha a idealizar um weblog, simplesmente dedicado a isso mesmo, à enfermagem. Se até agora andava só por aí a dar opinadelas sobre a enfermagem em Portugal, sem dar conta, dou de caras com uma comunidade que parece estar a crescer, de senhores e senhoras JÁ enfermeiros e que descobrem em bom tempo, as potencialidades da divulgação e promoção de uma melhor enfermagem em Portugal, perante a sociedade que continuamente possui uma imagem distorcida do papel vital do enfermeiro na mesma.
Por esta razão, acredito também eu no papel de uma comunidade de blogs de enfermagem seja algo não só importante para a troca de saberes, experiências e opiniões entre enfermeiros, estudantes e ex-enfermeiros, mas também para uma aproximação dos profissionais à sociedade, para que esta veja de alguma forma, aquilo que vai em nós, quais os nossos dilemas, que experiências de vida podemos transmitir, que opiniões temos... Assim vejo-me na obrigação de diferenciar o Ilmatto de tal comunidade, porque se até agora tenho expressado opiniões na categoria enfermaticando, ao dar o meu apoio a esta comunidade, nunca o poderei fazer sobre o papel do Ilmatto , pois este blog não pretende ser o tal instrumento de aproximação à sociedade que se pretende, este é simplesmente só mais um blog com parvoíces, insanidades e opiniões sinceras e pessoais, um espelho do que sou enquanto pessoa e não como estudante de enfermagem, porque são duas coisas diferentes e infelizmente a sociedade não consegue diferenciar as duas realidades quando as misturo.
Com este palavreado todo... apenas quero dizer ao mundo que o ilmatto, quase oito meses depois e cerca de 20500 visitantes depois, perde assim a categoria enfermaticando, e vê nascer um blog filho... o enfermaticando.weblog.com.pt... porquê enfermaticando?... quando criei a categoria, inspirei-me no velho manual do 5 e 6º ano de matemática, o matematicando... (traumas de infância...) e assim nascem os meus exercícios de enfermagem...
O enfermaticando pretende assim ser um blog igual ao que sempre foi, enquanto categoria, contudo isolado de todas as insanidades do ilmatto e com o acréscimo de agora se associar ao que se pretende uma comunidade de blogs de enfermagem...
Não sei com que frequência vou escrever... isso são voos mais altos... o método irá ser sempre o mesmo... nada se irá perder... apenas ganhar...
É com dificuldade que aceito a separação do ilmatto, mas é por uma boa causa...
se o turno da noite está a ser uma seca... não desespere...
pegue em BETADINE espalhe pelas mãos e chegue em pânico junto de uma colega.... "cortei-me cortei-me" a reacção em seguida é ver a colega desesperada a ficar azul...
huuhhuhu
sinceramente o que mais me custa é ver que no final de cada turno, aquele utente com dependência total, simplesmente chora... e quando lhe pergunto porque chora.... se é por nos irmos embora ele simplesmente diz a muito custo... "é!"
gosto do CHEIRO dos eucaliptos do Hospital de Santa Maria
gosto do SABOR da comida da Maternidade Alfredo da Costa
gosto de VER um utente sorrir
gosto de OUVIR "tem alta para hoje"
gosto de SENTIR a pele de um bebé
em dias como este pergunto-me...
até que ponto tenho eu direito de puxar pela vida de uma pessoa que está no seu mundinho, mundo tão restrito que se resume a uma cama de hospital, que nada mais tem se não um cacifo com algumas roupas e recordações na memória de uma vida, que não entende que as suas razões de viver tenham partido... que chora e pede por amor de deus para eu não lhe limpar a cara cheia de secreções...
até que ponto posso eu incentivar aquela pessoa a ganhar gosto pela vida e em sair da cama, a passear pelo jardim, a ver televisão, a cuidar de si... se daqui a 4 semanas nós estagiários vamos embora e depois volta o inferno do abandono... porque uma equipa de 10 profissionais de saúde não chega minimamente para 140 utentes...
Não estou eu a trair a confiança daquela pessoa?
hoje foi daqueles dias... um tanto ou pouco cansativos...
realizar mobilizações da cama para a cadeira a utentes com mais de 100 kilos que não saiam da cama à uns meses custa...
apesar disso a sensação de que algo muda nas vidas das pessoas no curto espaço de tempo em que estamos com eles é algo que ninguém nos tira... faz acreditar que qualquer esforço para dar um pouco de ânimo de vida a quem nem sempre a tem, é algo sem palavras...
amanhã é dia de pintura... cada utente vai pintar um vaso de barro, e plantar flores... ahh e a musicoterapia desde o clássico mozart ao não menos erudito quim barreiros...
acho que vou dormir...
okokok...
3 dias de estágio num serviço com condições semelhantes à primeira guerra mundial...
FARTEI-ME DE TER UM PAR DE LUVAS PARA A HIGIENE DO MEU UTENTE PARA A SEMANA INTEIRA!
Sim para uma semana inteira a instituição apenas tem dinheiro para um par de luvas... o que dá uma luva para a higiene oral e uma para limpeza de genitais... E M O C I O N A N T E ! Lá porque os médicos por norma calçam luva à entrada do serviço e descalçam à saída porque se protegeram a si mas infectaram metade do serviço é lá com eles... será que ninguém sabe o que é infecção hospitalar????
Fartei-me fui à farmácia de serviço e por 9 euros comprei uma caixa de 100 luvas de latex não esterelizadas...
Bem vindo ao maravilhoso mundo da saúde...
Os últimos dois dias têm sido muito ocupados, cansativos, turbulentos e... especiais!
Quando me perguntam do que eu mais gosto no curso de licenciatura de enfermagem ( que o nome é buunitinho e sim é uma licenciatura... ), a resposta é simples... dos ensinos clínicos. Porque é a praticar que aprendemos mais, que podemos mostrar quem somos realmente, é importante estar sentado a estudar, brincar com um boneco que dá para fazer tudo e mais alguma coisa desde entubar a cortar ao bocadinhos, mas é no contacto com as pessoas que aprendemos mais, é a aplicar a teoria ao longo do curso, e se os enfermeiros são como alguém disse uma vez “gente que cuida de gente”, a razão de o ser é porque não passamos anos a fio na faculdade a olhar para cadáveres inanimados e a “marrar” toda a fisiopatologia e mais alguma, é porque a estudamos e a aplicamos logo de seguida, aprendemos a lidar com a realidade, a saber que existem instituições com falta de meios e onde o primeiro impacto com a dita “realidade” custa encarar, porque é desumano, porque se teima em fazer dinheiro à custa da saúde do outro.
Garanto que é difícil, quando temos consciência de que tanta coisa está errada e mal num serviço de saúde e vemos pessoal sem competências a realizar tarefas de enfermagem, porque existe falta de enfermeiros, e temos consciência de que aquele outro utente está a ser tratado de forma deficiente, desumana, apenas porque se encontra dependente, e tudo é realizado de forma a optimizar recursos e tempo. O pior é pensar que o utente do qual eu estou encarregue, porque apenas posso estar com um, devido às orientações específicas deste ensino clínico, estar a ser CUIDADO e não meramente tratado, porque a pessoa idosa, é pessoa na sua globalidade, é humana e tem todo um passado de experiência de vida única e irrepetitível, não existe nenhum ser igual ao meu utente, apenas ele tem as suas necessidades específicas, os seus gostos pessoais, então porque razão o resto do ano, em que nós estagiários não estamos lá no serviço, as tarefas de higiene por exemplo são delegadas a funcionários auxiliares que tal como um sargento faz a revisão às suas tropas, entram pelos quartos dentro, e em ordem colocam os utentes de pé e lhes tiram a “fralda” como carinhosamente lhe chamam, infantilizando os utentes, relegando-os a uma subcondição humana que nos faz questionar... será que eu quero chegar àquela idade para ser tratado assim? Resta-nos a esperança que os enfermeiros desse futuro sejam conscientes e entendam que uma cueca protectora não é uma “fralda”, nem a solução eficaz, mas sim um último recurso a utilizar, mas que então se revela uma oportunidade única de acompanhar o utente no seu bem estar.
Ninguém se encontra num serviço de apoio a dependentes por gosto pessoal, este é sinónimo de perca de dependência nas actividades de vida da pessoa, sinónimo de percas, contudo, tenho a sensação que quando diariamente todas aquelas pessoas nos vêm a entrar às 8 nos quartos, é um dia diferente, porque são cuidadas e não tratadas como nos restantes turnos do dia e meses do ano, em que não estão por perto estagiários que permitem cobrir a gravíssima falta de enfermeiros, porque ninguém me convence que 4 enfermeiros para cerca de 100 utentes, mais uma dúzia de auxiliares chega para manter um serviço de forma minimamente aceitável.
Quanto ao meu utente, domingo faz 100 anos, é uma pessoa formidável, que nas últimas 3 semanas tem vindo a perder as forças, concentro-me agora em traçar planos de cuidados eficazes, pois aquele senhor merece os melhores cuidados que eu poça realizar. Para segunda-feira temos planeada uma festa de anos de arromba, com muita música popular.... porque é essa a preferência dos nossos utentes, o que promete ser uma grande tarde... a realidade é simples, muitos dos nossos utentes não têm ninguém e estão naquele serviço à anos, por isso já conheceram colegas meus em anos anteriores, e eles sabem que em Janeiro estamos lá, passam o ano a contar os meses, os dias, para ter alguém por perto, para sorrir, para se sentirem pessoas.
a imagem sublimada que fazemos deles, é a do sábio de cabelos brancos, rico em experiência e venerável, que domina do alto a condição humana; se se afastam desta imagem, caiem por terra: a imagem oposta à primeira é a do velho louco que não raciocina e que divaga e de quem os filhos se riem. De uma maneira ou de outra pelas suas virtudes ou pelos seus objectivos, situam-se fora da humanidade simone beauvoir
as atitudes da sociedade face à velhice e aos idosos são sobretudo negativas e em parte são responsáveis pela imagem que eles têm de si próprios bem como das condições e das circunstâncias que envolvem o envelhecimento. A velhice é tida como uma doença incurável, como um declínio inevitável e todas as intrevenções empreendidas para a prevenir são votadas ao fracasso.
e amanhã.... exame de enfermagem de cuidados de saúde ao adulto e idoso...
Em virtude de muitas vezes nós omeeees sermos confrontados com esse fenómeno transcendental que é a TPM e que tanto nos intriga eu decidi dar uso aos conhecimentos de enfermagem materno-infantil e cá vai....
Vitamina E
Na TPM, a produção da prostaglandina, causa alguns dos sintomas desagradáveis, como dor de cabeça, dor nos seios e cólicas. A vitamina E regula a produção desse hormônio, reduzindo os sintomas dolorosos.
Ácidos Graxos
Como a vitamina E, os ácidos graxos regulam a produção de prostaglandina, reduzindo também sintomas como dor nos seios e irritabilidade.
Vitamina B6
Participa da produção de serotonina e dopamina no hipotálamo. Alimentos com vitamina B6 evitam sintomas de enjôo, taquicardia, dores de cabeça e irritabilidade.
Magnésio
Na fase pré-menstrual, há uma elevação na secreção do hormônio aldesterona. É isso que promove a retenção de sódio e de água pelos rins e o consequente inchaço. A ingestão de alimentos ricos em magnésio reduz a retenção de água, além de diminuir a sensibilidade da mama e as dores de cabeça típicas da fase.
Cálcio
Ajuda a melhorar a capacidade de concentração, o humor e de reduzir a retenção de água na TPM.
Zinco
Suplementos de zinco ajudam no controle de 85% de oleosidade da pele e de acnes e espinhas.
Encinasola
Hermínio Santos
"Encinasola é um nome que não diz nada à maioria da população portuguesa mas para os naturais de Barrancos é uma palavra mágica. Segundo uma reportagem publicada no jornal Público de terça-feira, Encinasola, situada a 10 quilómetros do concelho português e já em terras de Espanha, tem um centro de saúde com três médicos de família, atendimento 24 horas por dia e onde não se cobram taxas moderadoras.
Em Barrancos, o centro de saúde local está aberto entre as nove da manhã e as 17:30 e não existe um único médico de família. Os cuidados de saúde são assegurados pelos clínicos do Centro de Saúde de Moura quatro vezes por semana e que só atendem 10 utentes de cada vez.
A Câmara tem uma casa pronta a habitar para um médico residente mas, como se escreve na reportagem, «ninguém consegue sentar um médico no Centro de Saúde de Barrancos». Desde há dois anos que a vila passa longos períodos sem assistência médica.
Numa altura em que o tema Espanha domina as agendas e as preocupações de muitos ilustres portugueses, o exemplo de Encinasola – uma terra com um perfil etário semelhante ao de Barrancos – é uma prova de que, nos últimos anos, Portugal e Espanha andaram a velocidades diferentes.
O Presidente da República pode reclamar em Madrid mais oportunidades para as empresas lusas em Espanha, os portugueses podem olhar sempre com eterna desconfiança para os nossos vizinhos mas quando se está perante um exemplo como o de Barrancos a sensação só pode ser de impotência e de inveja.
A soberania de um país não se mede apenas por declarações inflamadas em alturas solenes ou comemorativas de factos históricos. Concretiza-se também no dia-a-dia das pesssoas, nos serviços que o Estado presta às populações, na solidariedade que os habitantes demonstram entre si.
Portugal e os portugueses não ficam muito bem na fotografia no caso da prestação dos cuidados de saúde à população de Barrancos. Práticos, os barranquenhos não querem saber de rivalidades estéreis, apenas querem um médico disponível para os tratar e ouvir. Em Portugal isso não é possível e até já se pensa na assinatura de um protocolo com os serviços de saúde espanhóis para dar cobertura a Barrancos"
... a eliminação das secreções, consiste na sua expulsão através do mecanismo da tosse e da drenagem postural (quando necessária)????
e já agora...
... que a tosse consiste numa expiração brusca, contra a glote que se mantém fechada. Verifica-se a contracção dos músculos torácicos e abdominais, subida do diafragma e posteriormente saída brusca de ar???
devo comunicar ao mundo...
sinto-me realizado!
ehehehe
acabei de administrar com sucesso ao utente a oxigenoterapia de todos os tipos e feitios... claro está... no buneco cá da faculdade...
sharam!
... o idoso é uma pessoa que continua a crescer, a aprender e a ter potencial para o futuro. São pessoas que continuam em busca de felicidade, de alegria e de prazer?
... o idoso merece respeito e dignidade, a sua missão é sintetizar a sabedoria de toda uma longa experiência de vida e formulá-la como legado para futuras gerações?
...é necessário que a sociedade aceite o idoso como pessoa, não esquecendo as suas necessidades distintas, que devem ser atendidas, combatendo a visão do idoso como alguém improdutivo e doente que espera a morte?
... a sociedade que hoje zela pela preservação da juventude, leva a que a pessoa idosa tenha de fazer face a "sentimentos de isolamento, dependência, afastamento profissional", ou seja, que se sinta inútil?
A ordem dos Enfermeiros, no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro, a 12 de Maio, procedeu à inauguração oficial da sua nova sede, uma vivenda localizada na Av. Gago Coutinho, em Lisboa.
Os mais de 41 mil membros daquela que é a maior organização profissional no âmbito da Saúde, foram convidados a estar presentes na cerimónia de inauguração das novas instalações da Ordem(...)
no velhinho dicionário da língua portuguesa da livraria Simões... que em 1956 custou 70 escudos...
Humanidade (Lat. humanitate), s. f. O conjuntos dos homens; natureza humana; o género humano; clemência; benevolência; amor do próximo; pl. estudo das belas artes.
por outro lado Almada~Negreiros possui uma opinião meio diferente...
"E queria que os outros dissessem de mim: Olha um homem! Como se diz: olha um cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma árvore! quando há uma árvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: Um homem!"
por estranho que pareça de vez em quando lisboa consegue me surpreender...
embora tudo seja normal.. hoje achei diferente...
talvez porque estive a tarde toda em serviço voluntário numa instiuição de prestação de cuidados de saúde a idosos...
passei o dia com a D. Cªº... e embora cuidados de saúde em gerontologia não seja novidade para mim, cada dia que passo com um idoso consegue ser diferente... a utente de hoje, a D. Cªº só me dizia.. sabe quando se tem a minha doença... quando se está com depressão nada interessa... temos medo de viver e temos medo da morte... não durmimos e não estamos acordados... esperamos sozinhos que o tempo passe... esta senhora está institucionalizada à já 24 anos... não gosta de televisão...noutros tempos deu a volta ao mundo, para ela as colónias ainda são terras ricas, não conhece a realidade da sociedade, não imagina que existe segundo ela desavergonheiras como os ditos programas de vidas reais... para ela o mundo resume-se ao serviço SAD... à papa do lanche que lhe sabe bem, à sopa que é mal feita.... às recordações de outros tempos... com 85 anos apenas me chama de bebé que já cuida de idosos...
despedi-me com a promessa de em janeiro voltar para passar 5 semanas a trabalhar na instituição...
mais tarde ao passar pelas portas do hospital de santa maria percebo que o cheiro das castanhas afinal faz sentido e lembra que o outono chegou para durar... que os meus amiguinhos aprendizes de feiticeiros (estudantes de medicina) de bata na mão... não devem aprender na escola o que é assépcia médica e o conceito de infecção cruzada deve ser mentira...
"Ter um filho, não só programado segundo algumas características escolhidas avulso, mas feito quase à imagem e semelhança de quem gosto, é uma atracção quase irresistível. É o anseio mítico da imortalidade e da perenidade do fugaz", afirma o Professor Luís Archer, especialista em Genética Molecular e presidente do Conselho de Ética para as Ciências da Vida. No entanto, acrescenta, "esta atracção é ensombrada pela imagem aterradora de uma humanidade instrumentalizada e monotonamente repetitiva, em que não se saberia bem quem é quem ou de quem é filho".
TERRORES NOCTURNOS
Este pavor nocturno é geralmente mais incidente em crianças durante a primeira metade da noite, no sono de fase III / IV. Esta pessoa normalmente grita, levanta-se da cama, deambula em pânico, mas nunca pode ser acordada ou consolada existindo a possibilidade de agravar a situação; deve-se deixar passar esta fase de forma passiva pois normalmente a pessoa volta a deitar-se sem nunca ter acordado. Este distúrbio pode ser acompanhado por alterações autónomas e normalmente é associado ao sonambulismo. Uma das intervenções passa pelo planeamento do sono com horário regular.
e ainda dizem que o papão não existe... ai existe... existe!
ser azul às bolinhas rosa xoke, ter sete olhos e nove orelhas e ser primo do pinguim da páscoa!
Outra passou-se entre dois colegas médicos em que um pediu ao outro que era ginecologista que visse a respectiva mulher uma vez que esta tinha uma infecção vaginal. Na consulta o medico viu que se tratava de um pedaço de preservativo que não tinha saído e que estava a provocar a infecção.
Passado um pouco os dois médicos encontram-se e o Ginecologista diz:
- Não te preocupes mais com a infecção da tua mulher. Tratava-se apenas de um bocado de preservativo que ficou lá dentro e já esta tudo O.K.!
- O quê? Eu e a minha mulher não usamos preservativos desde que casamos...
Ups! Ainda por cima isto meteu processo disciplinar por quebra de sigilo medico!
cara amiga katya delimbeuf...

concordo consigo que esta «butterfly» é bem lindinha e toda giraça, já para não falar da que apresentou na edição nº 1618 do Expresso - o cor de laranja e azul sempre foram duas combinações bem jeitosas para criancinhas e certamente uma butterfly destas iria causar furor nos serviços de pediatria...
contudo, devo elucidá-la para o facto de este tipo de agulhas ser usado à já muitos anos quer nos serviços de pediatria, quer nos serviços de medicina em geral, não só pelo facto de permitir melhor adaptação aos movimentos do utente, mas também para facilidade de punção por parte dos profissionais de saúde, regra geral o enfermeiro, já que o xotor raramente se aproxima do utente e não sabe mexer em agulhas...
já agora uma curiosidade... a butterfly é muitas vezes utilizada para punções nas veias cefálicas dos (utilizando palavras suas...) «pequenos pacientes», se bem que a paciência deles não deve ser muita....
o objecto é bunitinho... a ideia é engraçadita... mas o sistema nacional de saúde não tem assim muitas verbas e pelo preço de uma belezura descartável daquelas, certamente muitas butterfly simples e feias se compram...
«Certo dia, já em Dezembro, numa das vezes em que a fui visitar, confidenciou-me: “só me vou embora depois do Natal”. Após um espanto de segundos, entendi que M.J. tencionava estar viva ainda nesse Natal. Nada comentei porque, efectivamente, nada tinha a comentar. As melhores das nossas conversas no hospital são a ouvir. Um pouco de silêncio mais, e retirei-me com uma saudação amiga e a promessa de voltar em breve. Arrastando nos meus passos a carga dessa confidência, procurei uma enfermeira desse serviço e que eu conhecia como próxima do coração da M.J.
Quando se trata de amigos, o anúncio da morte custa-nos mais. Morte não é assunto: é acontecimento. Não é verdade que a morte do outro se torne uma rotina para quem trabalha em hospital. Há-de acontecer sempre aquela pancada surda no peito todas as vezes que se despede alguém muito chegado a nós. A confidência da enfermeira era, afinal, ainda mais penosa do que a minha intuição. Ali me contou logo a sua responsabilidade tremenda. A M.J. apegara-se a ela com uma amizade e admiração invulgar.
( Afinal, quem é que disse que as pessoas perto da morte não escolhem um interlocutor privilegiado? E poderá ser da família ou não ).
Não queria estar a morrer só. Para ela, a enfermeira era a consolação no meio de muitas dores e algumas revoltas. Queria-a por dentro, sempre que possível. Desejava as suas palavras, o seu carinho, o seu olhar e o seu sorriso. Mais ainda: queria que lhe segurasse a mão quando estivesse a morrer!
O ser humano não tem capacidade para ouvir e dizer estas coisas sem um forte comoção. Sensações profundas, longas, longas...
Dias depois, a M.J. falou-me dum dossier que me queria confiar pessoalmente. Era um conjunto de orações e normas de certo grupo espiritual a que pertencia. Quando pediu à enfermeira que retirasse o dossier duma mala para mo entregar, compreendi que era um testamento de despedida. A M.J. ia embora antes do Natal! Como indicação de despedida, entregava-me o caderno das suas devoções.
Há momentos em que as palavras atrapalhariam a comunicação. Os gestos e o olhar indicam outras interioridades e outras notícias...
Num sábado à tarde, na enfermaria tranquila e quase deserta, conversamos um pouco e rezei uma oração de bênção que ela me pediu. Também queria receber a unção dos Doentes. Como estava a ser incomodada por muitas dores e não podia celebrar o rito com toda a consciência desejada, adiamos por então e eu prometi voltar no dia seguinte, Domingo, lá para o fim da manhã. Confortada e agradecida, concordou simultaneamente, como quem recebe a confirmação da grande notícia que esperava.
Com solenidade de que era capaz na sua posição acamada, estendeu os braços ao longo do corpo e pediu-me que lhe fizesse a unção na fronte e nas mãos. Conversamos pacificamente e foi respondendo às orações segundo as indicações do ritual.
Houve uma inundação de paz naquele corpo sofredor. Após breve meditação silenciosa, suspirou: “agora, sim, já posso morrer...”
Morreu dias depois, antes do Natal.»
estranhamente no final do turno, quando ia para o vestiário passei pelo banco de urgências... uma mão segurou o meu braço e disse...
"sabe senhor enfermeiro, nunca tenha medo, não fuja, não volte as costas, nunca desligue a campainha, se os utentes não quizessem ajudam, não estavam aqui, neste corredor da morte... tratem-nos como pessoas..."
por melhor que tente ser... aquela frase martela sempre na cabeça...
Os idosos sustêm a sua existência , numa cultura que pouco conhecimento têm em relação a esta etapa de vida , por onde todos iremos passar, tal como a infância ou a puberdade, mas que tanto fere as susceptibilidades á maioria da população. São encarados como algo que é velho que já não tem utilidade, e que tal como um electrodoméstico, quando já não produz , é deitado fora é substituído por um modelo mais novo e mais bonito (ideia principal da sociedade actual que põe a beleza como um valor primordial). Esta ignorância processual sobre a senescência, faz com que se criem ideias distorcidas, na sua maioria negativas e perjurativas – mitos e estereótipos - à cerca do idoso, em especial no que diz respeito á actividade sexual, os quais alguns deles iremos enumerar :
Ø “ o coito e emissão de sémen são debilitantes e e precipitam o envelhecimento e a morte
Ø a vida pode ser prolongada pela abstinência na juventude e pela inactividade mais tarde
Ø a masturbação é uma actividade infantil que deve ser posta de parte quando se atinge a idade adulta. Só é praticada por pessoas idosas se estiverem seriamente perturbadas
Ø a satisfação na relação sexual diminui consideravelmente depois da menopausa
Ø os homens velhos são particularmente susceptíveis a desvios sexuais, tais como exibicionismo e parafilias
Ø as mulheres idosas que continuam a apreciar o sexo foram provavelmente, ninfomaníacas quando jovens
Ø a maioria dos homens idosos perde o desejo e a capacidade para ( ou de ) ter relações sexuais
Ø pessoas idosas com doenças crónicas ou deficiências físicas devem cessar completamente a sua actividade sexual
Ø a capacidade de execução sexual mantém-se sempre igual ao longo da vida, mas na terceira idade diminui
Ø as pessoas idosas que têm abstinência sexual durante vários anos, não mais poderão vir a tê-las no futuro. “
F.A.Gomes ( 1987 )
de acordo com o doutor regente da cadeira de sociologia...
"Uma mulher de 50 anos de umbigo à mostra, com calcinha de ir à pesca, é como um comboio a andar fora da estação!"
enfim eu sempre adorei cromos... enfim e viva a sociologia.....!!!!
e viva o facto de saber os nomes de todas as capitais do mundo não ser cultura mas sim acumulação de saberes!!!
Porto, 5 de Novembro de 1957
"O pior da doença é a impessoalidade a que ela nos reduz. Sem nenhuma espécie de vontade preservada - quanto à intimidade devassada por dentro e por fora, - nem é bom falar nisso - o indivíduo sente-se apenas um manequim dorido, que mãos estranhas ou familiares manobram com a doçura de uma paciência exausta. Um manequim geme, que abre e fecha os olhos, que toca campainhas, mas que tem a sua realidade fisiológica longe de si, reduzida a gráficos e a tabelas. Dum ser afirmativo e facetado, resta uma passividade amorfa, almofada entre almofadas, onde se espetam agulhas ritualmente. E, embora pareça estranho, o que nestas ocasiões mais se deseja não é melhorar: é simplesmente ascender de farrapo humano a homem, ou deixar de existir."
Miguel Torga
Aspectos Positivos
+ Sinceridade
+ Honestidade
+ Leal para com a minha palavra
+ Criatividade
+ Organização
+ Forte desejo de estabelecer amizades
+ Entrega total às pessoas de quem gosto
Creio que estas são os principais aspectos pessoais, que devo aplicar na minha acção no cuidar e na relação com os doentes. Sendo a sinceridade, a honestidade e a lealdade para com a minha palavra, valores sobre os quais fui educado, não consigo em momento algum colocá-los de lado em toda e qualquer relação interpessoal que desenvolva, pelo que sobretudo na relação com os utentes, seria-me muito difícil colocar de lado estes valores pessoais. Desta forma creio que ao seguir estes valores, estou a ser o mais verdadeiro possível para comigo, mas sobretudo para com os utentes, podendo desta forma a minha acção no cuidar ser optimizada.
A criatividade aliada à organização pessoal no método de trabalho, e na consciencialização da importância dos meus actos no cuidar e nas relações interpessoais enquanto estudante de enfermagem, permite-me desenvolver e rentabilizar de forma planeada todo o relacionamento e com diferentes formas de abordagem.
Aliada à minha personalidade surge ainda, o meu forte desejo de criar novas amizades e o facto de me entregar totalmente às pessoas de quem realmente gosto e naquilo em que acredito, o que se reflecte no prazer em estabelecer novas relações interpessoais e na entrega que desejo alcançar na minha acção do cuidar.
Aspectos Negativos
Creio que os meus aspectos negativos pessoais, que podem afectar a minha relação com o utente , baseiam-se todos na minha própria forma de ser, na minha personalidade, que nem sempre é do agrado de todos, contudo, creio que o que realmente afecta a minha relação com os utentes é a minha tendência natural para entrar em melancolia, sempre que algo corre mal, ou que existam problemas que me afectem pessoalmente. Creio que o facto de não me conseguir entregar totalmente sempre que algo emocionalmente me afecta, perturba a minha relação com os outros, visto que não consigo me entregar da mesma forma que desejaria, pois caio na tendência de me isolar e entrar em melancolia.
segundo uma colega minha... a necessidade dos cuidados paliativos é fundamental, do ponto de vista que quando chega a hora da morte, temos a tendência a acreditar que já não existe nada a fazer, contudo a verdade é que tudo ainda está por fazer pelo utente.

"fabulástico" como passei duas horas a ouvir o senhor doutor, para no fim em duas linhas escrever... Com Hipócrates surgem os valores da beneficiência, a não maleficiência e a justiça. Em 25 séculos a medicina apenas evolui com a autonomia e o surgimento de direitos... boa... resta saber é se o direito de entrar no quarto do utente e dizer... vamos lá a despachar, dispa-se e deite-se que tenho o carro mal estacionado.... sharam cosas da vida...
Só me resta citar Kant "O céu estrelado sobre mim é a lei moral em mim".... diria mesmo SEXY!
“Se um dia chegares aos oitenta anos, compreenderás que, nessa idade, as pessoas sentem-se como folhas em finais de Setembro. (...) Ainda se está suspenso lá em cima, mas sabe-se que é por pouco tempo, uma após outra, as folhas vizinhas vão caindo, vê-las cair, vives no terror de que o vento se erga.”
Susanna Tamaro
“De repente, enquanto ouvia as histórias fantásticas da D. Rosalina, olhei para esta Sr.ª De 85 anos, e imaginei-me no lugar dela a conversar com uma jovem de 20. Como num flash repentino, eu própria comecei a divagar em pensamentos acerca de como seria quando chegasse à idade bonita que ela tem hoje.
E as dúvidas vieram de mansinho ocupar meu pensamento, incomodando-me e inquietando-me.
Seria difícil envelhecer? Iria eu conseguir construir uma vida da qual não me viesse a lamentar mais tarde?
Como encararia o desgaste do corpo? E as rugas, trariam realmente a calma que ela tanto referia? Seria doloroso olhar para trás e constatar que muitos entes queridos já não existiam? Sentir-me-ia abandonada pela minha família?
Foi quando de súbito, com as lágrimas nos olhos, olhei para ela e agradeci todo aquele carinho e alegria que ela sempre manifestava, e foi também quando compreendi que toda aquela serenidade e plenitude que ela mostrava só poderiam vir, de facto, de uma experiência de vida extraordinária e de uma aceitação fantástica do seu ser tal como ele é. E com um sorriso meigom carregado de significado ela respondeu-me: “Minha querida Ana, um dia, quando chegar à minha idade, vai dar o devido valor às conversas com os mais novos.”.
Daquelas tardes quentes, em que o sol brilhava lá fora e os outros idosos passeavam pelo jardim, ficam as memórias da doce D. Rosalina sentada junto da janela, ao fundo da sala, e das longas horas de conversa que preenchiam as nossas tardes.
Quando me despedi dela senti o coração apertado mas ao mesmo tempo confortado, e ao sair da sala voltei a ouvir aquela voz suave chamar-me: “Ó menina?!!”, olhei para trás e ouviu-se ecoar na sala: “...não deixe que os outros façam de si o que não é, mostre com simplicidade o que tem por dentro, seja pura no que diz e será sempre respeitada. Não tenha medo dos velhos.”
Ana Sales
dou por mim a navegar à toa na realidade dos blog's... descobri que no mês de setembro este blog meio abandonado onde nada de interesse pessoal tenho escrito... nunca escrevi aliás! mas mesmo assim está em 97º lugar no weblog.... o que é bem animador :)
bom... descobri que um dos blog's mais influentes da comunidade portuguesa (para além dos politiqueiros...) é um de sociologia... o que me deixa com mais um arrepio... enfim... lembrei-me logo do assistente da cadeira de sociologia do curso de enfermagem... e viva o estudo dos grupos... mas tb descibri uma pérola... um blog cujo título é... Médico Explica Medicina a Intelectuais com esta nobre missão:
São tantos os dislates que se ouvem e lêem, por vezes inconscientes, que decidi esclarecer quem me procurar, para que os jornalistas (e outros intelectuais!) sejam o veículo para os 'media' não fomentarem a iliteracia científica.
neste blog... o autor... um xotor, muito dedicado pretende esclarecer as mentes... que não percebem nada de medicina... foi a sensação com que fiquei... e enfim... promove ainda um serviço de correio onde:
Correio
medicoexplicamedicina@iol.pt
Aviso 1: partilho a ideia de que as mensagens dirigidas ao e-mail do blog, funcionam como cartas à redacção/director e podem ser publicitadas, desde que não seja solicitado o contrário.
Aviso 2: Este blog não é um consultório on-line. Mas podem encimar a mensagem com "sujeito a sigilo médico"
deixo uma interrogação será isto a TVI dos blog's?
infelizmente eu não partilho da ideia romântica de sigilo médico... porque infelizmente tenho demasiadas más experiências que me deixam à partida de pé atrás quando tenho de me relacionar com um senhor doutor... porque infelizmente entre tantas recordo sempre a "bela" recordação de uma senhora doutora que entra numa enfermaria 2 horas depois do seu horário de visita médica e muito sorridente diz... vamos lá despachar que tenho o carro mal estacionado... a senhora da cama 7 já sabe que não pode amamentar porque está infectada com o HIV.... o problema é que a senhora da cama 7 não sabia... e as restantes 7 senhoras que partilhavam a enfermaria não precisavam saber.... enfim......
vou dormir....
Enfermagem de Saúde do Adulto e do Idoso
O que é para mim a pessoa idosa...
Para mim, a pessoa idosa é antes de mais um adulto idoso, isto é, creio que um idoso é uma pessoa única, bastante rica em experiências pessoais, visto que se encontra na fase final da sua vida, tendo atravessado décadas, vendo surgir e desaparecer gerações, tendo tido um contacto com o exterior que lhe deixa em si um legado de vivências inquestionável. Em muitas civilizações a pessoa idosa é vista como um ser humano sábio, creio que a minha opinião vai de encontro a essas crenças. Contudo por se encontrar na fase final da sua vida, a pessoa idosa encontra-se naturalmente mais susceptível ao aparecimento das mais diversas patologias, pelo que na minha opinião na nossa sociedade a figura da sabedoria encontra-se esquecida, em detrimento da figura frágil e debilitada da pessoa idosa.
A minha opinião sobre a pessoa idosa é então baseada no facto de esta mesma pessoa ter atravessado décadas, tendo sido criança, jovem, adulto e agora idosa, tendo ao longo desta imensidão de tempo que não posso idealizar, dado apenas ter 19 anos, adquirido e vivênciado um conjunto muito vasto de experiências, pelo que esta não é menos pessoa por estar mais velha, por ser idosa, muito pelo contrário, é uma pessoa onde o significado de indivíduo, de pessoa toma a sua máxima importância, dado que a pessoa idosa é então o expoente máximo de experiências que nos tornam quem somos e diferentes de todos os outros seres humanos, tomando então esta expressão maior dimensão na fase final da vida.
A pessoa idosa é então o valor máximo da expressão personalidade, contudo na minha opinião, para além de todos os conjuntos de sinais que marcam o envelhecimento e que em certa medida são comuns a todas as pessoas idosas, existe quanto a mim, em regra geral um sentimento comum a todas, que se fundamenta no conhecimento próprio que estão na sua recta final da vida, reagindo cada uma de forma muito diferente a essa realidade, contudo creio que é comum a todos um sentimento de arrependimento em relação a todas as experiências negativas ao longo de suas vidas, existindo um processo de busca de paz e bem estar pessoal, bem como uma nostalgia por todas as boas experiências, que é aliviada de certo modo por uma necessidade de contactar com as gerações mais novas, de modo a partilhar estas experiências e de certo modo para rever nos olhos dos mais novos a juventude que cada uma destas pessoas teve a oportunidade de vivenciar.
A imagem que escolhi para retractar a pessoa idosa foi tirada em Budapeste, e a razão da sua escolha passa por um significado pessoal, por uma experiência que vivi, na qual tive oportunidade de conhecer durante duas semanas hábitos e costumes diferentes, bem como tendo estabelecido com a senhora mais idosa uma relação que me marcou, pois não falávamos as mesmas línguas mas os sorrisos, os desenhos, as músicas e as danças conseguiram de certo modo dar-me a conhecer aquela pessoa.